IGREJA DA MISERICÓRDIA

A fundação da Santa Casa da Misericórdia de Bragança deve remontar ao ano de 1518 e “fundou-se em uma igreja que havia dedicada ao Espírito Santo" (que dava nome à rua). O templo foi reconstruído em 1539, para servir como igreja da Misericórdia. Nos fins do séc. XVII, o altar-mor seria dotado com um valioso retábulo maneirista (como figura central N. Sr.ª da Misericórdia). Numa capela anexa, pode admirar-se uma bela imagem do Senhor dos Passos, dos fins do séc. XVIII. O revestimento a azulejos da frontaria é da segunda metade do séc. XIX.

ALTAR-MOR
O maneirismo do Séc. XVII tem um exemplar de rara beleza neste altar. No conjunto realça o retábulo central. É obra do mestre entalhador Manuel de Madureira, que o executou pela quantia de 150 mil reis (14.08.1682). O retábulo central, que representa a Senhora da Misericórdia, contém doze figuras. O clero e a nobreza ali estão muito bem documentados, sem esqueçer a figura de D. João II, D. Leonor, e o frade trino que a aconcelhou na criação das Misericórdias, Frei Miguel Contreiras.
Aconselhamos a leitura de todo o conjunto arquitectónico superior do altar. A visita de Nossa Senhora a Santa Isabel, em cima da parte superior do primeiro plano. O mistério da Incarnação transmitido no simbolismo da escultura, completa-se com o da Redenção, tão humanamente expresso naquele Cristo do Séc. XVI, exposto no camarim.
No terceiro plano temos o retábulo da Senhora da Misericórdia. Exceptuando o retábulo da Sé de Miranda, é a obra mais rica de Trás-os-Montes, no campo da talha. O entalhador, Manuel de Madureira, ou a sua escola, revelou aqui toda a sua capacidade artística. O olhar extático das figuras, que se resguardam debaixo do manto de Nossa Senhora, denota as raízes clássicas que inspiram o retábulo. A mesma linguagem simbólica se encontra nos quadradinhos alusivos à Paixão, sob a banqueta.
Os quatro Evangelistas (S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S. João), realçam a mensagem neotestamentária do conjunto artístico.


Admissão Novos Irmãos

Igreja da Misericórdia - Vista frontal
Antes da Igreja actual, houve no mesmo espaço a capela da Madalena, e depois ainda a Capela do Espírito Santo. No adro da Madalena, que deitava para a actual Rua do Marquês de Pombal, se enterravam os pobres que faleciam no hospital manuelino, que ainda hoje mantém a traça primitiva. A frontaria da igreja, arcos e paredes, são do mestre canteiro António Veiga.

Divino Senhor dos Passos
As luzes e as lâmpadas votivas desta capela são a expressão do muito querer da gente de Bragança ao senhor-mor desta capela, o Senhor dos Passos. Em ano de calamidade ou pestilência, se faziam as procissões em honra do Senhor dos Passos. Desastre ou problema familiar são preocupações quotidianas que os aflitos expõem à veneranda imagem.
As datas gravadas na padieira (1795) e na parte superior do altar-mor da capela(1799) são precisas quanto ao ano da construção. Foi na provedoria do tenente-general e governador de armas de Trás-os-Montes, manuel Jorge Gomes de Sepúlveda, que esta capela se contruiu, junto da Casa do Despacho.
Tanto a imagem do Senhor dos Passos, como as laterais, Senhor da Cana e Senhor preso à coluna, são do séc. XVIII. Durante a Procissão dos Passos, é belo o enquadramento cénico.
Das procissões tradicionais, Passos e Enterro do Senhor, perdeu-se apenas a Procissão dos Fogaréus. Todas realçam a marca inconfundível do homem peregrino. Dos passos, antes espalhados pelas ruas da cidade, resta apenas o que se encontra junto ao tanque, ao pé da igreja de São Vicente. Na rua do Passo está outro, algo degradado.